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Banco de sangue para animaisMuitas pessoas desconhecem, mas existem bancos de sangue animal em vários hospitais veterinários do país. Somente em São Paulo os 3 maiores (Hemovet, Hovet-USP e Hovet-Anhembi Morumbi) realizam o serviço da coleta de sangue, que atualmente se encontra numa situação não muito boa, seja por falta de informação, interesse ou até mesmo medo por parte dos donos dos animais.

Por esses motivos os bancos de sangue animal, como o Hemoterapet, no Rio de Janeiro, realizam o serviço da coleta de sangue animal e concedem o material para clínicas parceiras, ajudando a salvar vidas de animais em situações emergenciais, permitindo o fácil acesso ao sangue total e seus derivados, auxiliando os médicos-veterinários com as técnicas e protocolos para a realização de uma transfusão sanguínea segura.

Abaixo, o veterinário Bernardo Paiva, um dos médicos-veterinários à frente do Hemoterapet, explica como é feito esse procedimento, os benefícios da doação de sangue e também soluciona as maiores dúvidas que os donos possuem.

 


Qual é a necessidade da doação de sangue animal?

A transfusão é um procedimento emergencial que visa corrigir temporariamente uma anemia ou disfunção sanguínea severa. As principais indicações para a realização de uma transfusão são: acidentes ofídicos, atropelamentos, doenças transmitidas pelo carrapato, insuficiência renal, pancreatite, intoxicações, coagulopatias, dentre outras. Assim como nos bancos de sangue humano, também vivenciamos a carência de doadores e, por muitas vezes, não conseguimos suprir a demanda. Portanto, é de suma importância contar com a solidariedade e a boa vontade de proprietários de animais para incluí-los no programa de doação.



Como o sangue é tratado (conservado) depois de doado?

Antes da doação, os animais são avaliados por nossa equipe e passam por uma série de exames físicos e laboratoriais, como hemograma completo, perfil renal e hepático, e por uma triagem sorológica que nos permite assegurar que estão saudáveis e livres de doenças contagiosas.

A coleta é realizada em bolsas de sangue contendo solução anticoagulante CPDA1. Esse produto é chamado de sangue total refrigerado e tem validade de até 35 dias se armazenado de 1 a 8oC.

O sangue também pode ser centrifugado e processado logo após a coleta e gerar até 3 hemocomponentes distintos: o concentrado de hemácias, que também tem validade de até 35 dias; o concentrado de plaquetas, que tem validade de até 5 dias; e o plasma fresco congelado, que, quando armazenado a -18oC, é válido por até 1 ano.



É perigoso para o animal doar sangue?

De maneira nenhuma. O volume de sangue doado é proporcional a seu peso e o animal é monitorado antes, durante e depois da doação. Além disso, o procedimento pode ser interrompido perante qualquer alteração. O peso da bolsa é aferido para assegurar que o volume coletado esteja dentro do estabelecido para cada doador, ou seja, de 15 a 20 ml por kg.

 


Quais são os benefícios de ser doador?

Fornecemos gratuitamente aos animais selecionados exames físicos periódicos, atestado de sanidade, resultados de exames laboratoriais como hemograma completo com pesquisa de hemoparasitos e exames sorológicos para diagnosticar doenças como erliquiose (doença do carrapato), dirofilariose (verme do coração), doença de Lyme, anaplasmose, brucelose e leishmaniose em caso de cães e em caso de gatos sorologia para o vírus da leucemia felina (FELV) e para o vírus da imunodeficiência felina (FIV).

Além de estarem realizando um gesto solidário e ajudando a salvar vidas de outros animais, os doadores estarão praticando a "medicina preventiva", pois, por mais que os animais estejam aparentemente saudáveis, os exames laboratoriais permitirão diagnosticar possíveis doenças e alterações hematológicas ainda nos estágios iniciais, o que permitirá instituir o tratamento precocemente e aumentar as chances de cura do animal. Caso o animal não possua alterações significativas e preencha os pré-requisitos, ele poderá se tornar um doador e será monitorado periodicamente por nossa equipe de médicos-veterinários.



Quais são os pré-requisitos para um animal ser doador?
Ter de 1 a 8 anos, pesar acima de 25 kg (cães) ou 4 kg (gatos), estar com as vacinas e vermífugos em dia, não possuir infestações de pulgas e carrapatos e não estar tomando nenhuma medicação.

 


Você sabia que...
Os gatos podem pertencer a três grupos ou tipos sanguíneos, e os cães a seis?
No caso dos gatos, os grupos são divididos em tipo A, tipo B e tipo AB. O grupo A é o mais comum e os animais pertencentes a esse tipo correspondem a uma parcela entre 73 e 99,7% dos casos veterinários. O grupo B abrange a parcela de 0,3 a 26% e o grupo AB pode ocorrer em até 9,7% da população felina. Diferentemente do que acontece com os cães, o risco de reação na primeira transfusão é muito alto e por isso é necessário realizar testes de compatibilidade e/ou tipagem sanguínea antes da primeira transfusão.

No caso dos cães, já foram catalogados mais de 20 grupos sanguíneos caninos, porém apenas seis DEA (sigla em inglês para Dog Eritrocyte Antigen, ou "Antígeno Eritrocitário Canino") apresentam importância na medicina transfusional (DEA 1.1, 1.2, 3, 4, 5 e 7). Dentre esses, o DEA 1.1, 1.2 e 7 são os que apresentam maior risco de reação hemolítica, com maior ênfase aos DEA 1.1 e 1.2. Os cães podem expressar mais de um antígeno na superfície de suas hemácias, ou seja, eles podem apresentar antígenos DEA 1.1 e 7, sendo, portanto, DEA 1.1 e 7 positivos. Cães de uma mesma raça podem ter tipos sanguíneos diferentes, assim como cães de raças diferentes podem ter o mesmo tipo.

 

 


Bernardo Paiva é patologista, biólogo e médico-veterinário – CRMV/RJ 9397 - responsável pelo Hemoterapet. http://www.hemoterapet.com.br/


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