Busca

Cachorro e gato doentesTanto os cães quanto os gatos, assim como todo ser vivo, estão sujeitos a doenças. A maioria delas, se não tratadas, podem ser letais. Mas muitas vezes o dono não constata a doença em seu animal de estimação simplesmente por desconhecer os sintomas que o animal porventura possa estar apresentando

 

Uma boa dieta ou a abundância de exercícios são importantes para a saúde de um animal de estimação, mas não são a garantia de que o cão ou o gato estejam totalmente imunes a doenças. Identificar os sintomas de uma doença pode não ser algo fácil, mas perceber que há algo de errado com o animal é algo simples.

Uma pesquisa realizada em janeiro de 2008 pela ONG Arca Brasil, em parceria com o Hospital Veterinário da Universidade Anhembi Morumbi, identificou as cinco doenças e problemas de saúde mais comuns entre cães e gatos.
São elas: doenças infectocontagiosas, doenças alérgicas, doenças do metabolismo, problemas articulares e traumas causados por atropelamentos ou brigas.

 

O perigo mais perto do que se imagina

No caso das doenças infectocontagiosas, esse tipo de contaminação é muito comum e é altamente transmissível. Entre as doenças que registram maior número de casos estão a cinomose, a parvovirose e a leptospirose, esta última principalmente em épocas de chuvas.

A cinomose é uma doença transmitida por vírus e aparece geralmente em cães. O médico- veterinário Fabrício Machado explica que esta doença é extremamente complexa e com sintomas variados, divididos em três estágios, sendo eles: os respiratórios (tosses, espirros, secreção nasal e ocular), os gastrointestinais (vômitos e/ou diarreia) e os neurológicos (secundários à encefalite, como convulsões, incoordenação motora, fraqueza nas patas traseiras e movimentos involuntários de musculatura, que podem ocorrer nos músculos da face, dos membros ou do abdômen).

"Temos bastante casuística dessa enfermidade e muitas vezes o motivo de tantos casos é a falta da informação para os proprietários, que devem vacinar corretamente seus animais de estimação", informa Fabrício.

A prevenção é feita por meio de vacinas que o cão deve tomar durante toda a vida. O tratamento para animais infectados é complexo e nem sempre apresenta um resultado satisfatório. Por tratar-se de uma doença que atinge vários órgãos, a cinomose pode deixar sequelas ou matar o cão.

A parvovirose também é transmitida por vírus e é mais comum em filhotes. A doença é transmitida por via oral e inalatória, por meio do contato com material fecal de algum animal contaminado. Os sintomas são vômitos e diarreias hemorrágicas no animal e pode haver consequências sérias por conta da desidratação.

O tratamento requer internação e medicação. O animal costuma responder bem ao tratamento, mas, em caso de ser contaminado ainda muito novo, a doença pode prejudicar seu desenvolvimento.

Já a leptospirose, de acordo com Fabrício, "é uma doença bacteriana que pode ser transmitida por contato com a urina de ratos, principalmente em locais que ficam próximos a córregos, rios ou após enchentes. Nesta doença, os cães podem se contaminar com essa urina contaminada e transmitir às pessoas", explica.

Para evitar a doença, é recomendado não deixar a comida do animal exposta e trocar a água todos os dias. As vacinas também são importantes, mas, como não têm duração de 12 meses como as outras, é preciso aplicá-las no animal de seis em seis meses.
O tratamento depende do estágio da doença, mas requer terapia com antibióticos e internação para evitar transmissão.

 

Coceira demais pode ser sinal de alergia

Quando o animal apresenta um quadro de coceira intensa, seja em algum local determinado (patas, região interdigital, axilas ou orelhas) ou generalizado pelo corpo, é muito provável que ele esteja com uma reação alérgica.

"As alergias se manifestam através de prurido (coceira) intenso, eritema (pele avermelhada) e alopecia (queda de pelos), que pode acometer todo o corpo do animal ou as patas (pododermatites) – local este que muitos proprietários atribuem ao estresse, porém é muito mais comum alergia do que estresse!! E temos as otites (infecção e inflamação dos condutos auditivos) constantes, que podem também ser manifestações de alergias", explica Fabrício.

O veterinário também informa que as alergias são divididas basicamente em três grupos: o primeiro abrange os alérgicos à saliva de pulga ou carrapato (através da picada desses insetos) denominado DAPP (dermatite alérgica à picada da pulga) ou DAPE (dermatite alérgica à picada de ectoparasitas); o segundo grupo são os alérgicos alimentares, reação chamada de Hipersensibilidade Alimentar (alergia ao tipo de proteína da dieta); por fim o terceiro grupo, denominado Atópicos, alérgicos a substâncias inaladas ou depositadas sobre o pelame deste animal.

Para iniciar o tratamento, é preciso controlar a infestação no animal e no ambiente. Além disso, uma medicação com antialérgico deve ser indicada pelo veterinário do animal.
Para prevenir a doença, é recomendado o uso de repelentes, mas sempre com cautela e com indicação do veterinário para evitar intoxicação.

 

Quando a alimentação faz mal

Obesidade caninaAs doenças de metabolismo podem ser causadas por tendências genéticas ou por algum estímulo do dia a dia do animal, como uma alimentação não balanceada e falta de exercícios físicos. Dentre elas estão o diabetes e a obesidade.

O diabetes, cada vez mais comum entre cães e gatos, causa, geralmente, a dependência de aplicações diárias de insulina, em doses estipuladas pelo veterinário do animal. Tanto em caso de tendência genética, quanto em caso de problemas com má alimentação, o diabetes exige do proprietário do animal muita dedicação. É preciso colocar em prática a determinação exata do veterinário a respeito da dose e dos horários em que a insulina deve ser aplicada no animal.

A obesidade também pode ser causada por fatores genéticos ou por falta de exercícios físicos e alimentação não balanceada.

Nesse caso, uma boa dieta, servida sempre nos mesmos horários e conjugada com exercícios físicos regulares, é a melhor forma de prevenir e tratar a obesidade no animal.
Quando as articulações chamam a atenção

Os problemas articulares não podem ser curados e seu tratamento consiste principalmente no alívio da dor do animal e na realização de cirurgias, na tentativa de favorecer sua movimentação. Medicamentos com substâncias que reforçam a cartilagem óssea também são recomendados, mas sempre na dosagem estabelecida pelo veterinário do animal.
Exemplos disso são a displasia e a artrose, doenças articulares geralmente genéticas e agravadas pelo sobrepeso e pela idade do animal. Ambas podem aparecer em diferentes graus de gravidade e reduzem a possibilidade de movimentação do cão ou do gato afetado.

Por fim, os atropelamentos ou brigas causam lesões muito comuns entre cães e gatos. Na maior parte das vezes, o tratamento para essas lesões é feito por meio de pequenas cirurgias, em que o animal precisa colocar pinos e placas no membro lesionado.

O cuidado com a alimentação e a recuperação dos movimentos do animal, no momento posterior à cirurgia, é fundamental e exige dedicação e paciência de seu dono.

 

Recomendações finais

Fabrício finaliza dando as recomendações básicas para qualquer dono de animal de estimação: "Primeiramente, informar-se no momento de adquirir um animal, seu histórico familiar (se possível), particularidades da raça escolhida, caso seja um animal com raça definida, histórico de vacinação, vermifugação e inclusive do próprio canil, se for animal oriundo de canil ou gatil. Nunca adquirir animais de feiras de adoção não regulamentadas (de rua), pois são animais sem nenhum controle de doenças, inclusive contagiosas ou infecciosas. Procurar um veterinário regularmente para orientações gerais e acompanhá-lo ao longo de sua vida. Manter o animal sempre com alimento e com água disponível e ambiente higienizado constantemente, para evitar principalmente a propagação de doenças infectocontagiosas".

 

 

Fabrício L. Aranha Machado é médico-veterinário (CRMV-SP 16.917), graduado pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Santo Amaro (UNISA), residência em Clínica Médica de Pequenos Animais pela Universidade de Santo Amaro, pós-graduação em Clínica Médica pela Faculdade de Medicina Veterinária da UNISA, responsável pelo serviço de Endocrinologia do Hospital Veterinário Rebouças (HOVET-REBOUÇAS) e médico-veterinário do serviço de Clínica Médica do Hospital Veterinário da Universidade Anhembi Morumbi (HOVET-UAM).



Receba nossas notícias

Nome
Email


Quem somos|Publicidade|Fale Conosco