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Nos dias atuais, devido à rotina de trabalho e à falta de segurança nas grandes metrópoles, é muito comum passar muito tempo dentro de casa. O que para nós, seres humanos, se tornou algo normal, para os animais de estimação não é algo que acontece, pois a ausência de passeios ao ar livre pode acarretar prejuízos à saúde destes.

"Os cães são animais sociais e com alta motivação para comportamento exploratório. Dessa forma, para eles é muito importante poder explorar, farejar e caminhar pelo ambiente em que vivem. A capacidade olfativa do cão é milhares de vezes maior do que a do ser humano. Por isso, quando damos a eles a oportunidade de sair de casa, eles podem então se aproximar e perceber odores de perto, o que lhes dá grande prazer e sensação de controle sobre seu ambiente", explica a médica-veterinária Larissa Rüncos.

O ato de farejar cheiros deixados por outros cães, além disso, é uma forma de comunicação muito rica entre esses animais. Ao deixar sua urina sobre a urina de outro cão, ele está deixando vários recados, da mesma forma que, ao farejar a urina de outro animal que por ali passou, ele obtém inúmeras informações, como idade, sexo, nível de estresse, estado de saúde, entre outras.

Os seres humanos são reconhecidos como membros do grupo dos cães e não é por acaso que ambos são conhecidos como melhores amigos. No entanto, nós não conseguimos substituir as atividades e formas de interação que um cão tem com o outro, pois a forma de se acariciar e de se relacionar é diferente.

"Devemos sempre promover a interação social de nossos cães com outros cães a fim de garantir o bem-estar deles. Além do passeio nas ruas, é preciso promover passeios em parques, onde ele possa interagir de maneira mais ativa com outros cães, ou levá-los em casas de amigos que têm cães dóceis, ou em locais especializados", ressalta Larissa.

A médica-veterinária relembra ainda que um quintal, por maior que seja, não substitui um passeio na rua, já que é um local conhecido e estático. Além disso, nesses locais não há renovação de cheiros ou motivação para que o cão o explore diariamente. "O quintal será bem utilizado se realizarmos atividades, como brincar com uma bolinha ou outros brinquedos que façam o cão correr. Porém, mesmo assim, ele não terá toda a riqueza de estímulos mentais que um passeio na rua oferece", afirma.

 

Saúde e comportamento canino

Além de todos os benefícios do ponto de vista cognitivo e social, há também os benefícios físicos à saúde do cão que passeia bastante ao ar livre. A obesidade é crescente entre os cães no Brasil, e em parte isso se dá pela falta de realização de exercícios físicos.

"Quando a comida está prontamente servida em nossos domicílios, sempre no mesmo local, o cão não se exercita para buscá-la. Neste caso, precisa fazê-lo de outras formas, como brincadeiras de correr e passeios nas ruas", explica Larissa.

Outra boa forma de melhorar o bem-estar do seu cão é oferecer o alimento de uma maneira desafiadora, de modo que ele tenha que trabalhar para obtê-lo e que demore mais tempo para ingerir do que quando ele está apenas solto no potinho de comida.

Com relação aos malefícios causados pelo "aprisionamento" de cães dentro de casa, é importante lembrar, do ponto de vista do comportamento, que são inúmeros os problemas que o animal pode desenvolver, entre eles a depressão.

"Devido à presença de poucos estímulos e ao longo tempo que passam sozinhos, os cães podem desenvolver depressão. Ansiedade é um problema crescente na clínica comportamental e está muito relacionado à falta de consistência ou regularidade nas atividades diárias, incluindo os passeios", destaca a médica-veterinária, que ainda cita outros prejuízos, como comportamentos destrutivos e de eliminação, além de agressividade e transtornos compulsivos.

 

Recomendações

A regularidade nos passeios com os animais é muito importante, assim como a frequência. De acordo com a Dra. Larissa, o ideal é passear com o cão duas vezes e diariamente, com tempo de duração mais longo possível, a ponto de deixar o cão cansado ao retornar para casa.

A médica-veterinária dá algumas outras dicas para o passeio com o seu cão. Fique ligado!

1- Leve sempre seu cão preso a uma guia com coleira ou peitoral. Por mais obediente que ele seja, existem inúmeras distrações que podem acontecer na rua que não estão sob nosso controle. Nosso cão pode se distrair com algo inesperado e sair correndo em disparada, podendo ser atropelado, se machucar ou até mesmo se perder, mesmo num bairro aparentemente tranquilo.

2- É essencial que seu cão seja educado a andar tranquilamente na guia para que o passeio não se torne um estresse e que ninguém se machuque. Compre uma guia e coleira de tamanhos apropriados, que não escapem durante o passeio, e ensine o animal a andar tranquilamente com você na rua, sem puxar ou cruzar distraidamente.

3- Um cuidado muito importante para uma convivência harmoniosa na sociedade é sempre lembrar de levar uma sacolinha para recolher os dejetos do seu cão. Não só é algo saudável para o ambiente, como um ato de cidadania.

4- Ter as vacinas em dia, bem como visitações anuais ao veterinário, é essencial. O check-up anual, com vacinações e exames de fezes para pesquisa de parasitos, irá garantir a saúde e prevenir doenças e problemas.

5- Permita que seu cão cheire o ambiente, mas evite que ele ingira substâncias na rua. Podemos ensiná-lo a não pegar coisas na rua e também para que ele solte o objeto quando pedirmos. Evite que ele se aproxime de portões onde haja cães agressivos e que ele passe próximo a cães soltos nas ruas. Apesar de as chances de um cão de rua querer brigar com um cão preso na guia serem pequenas, se pudermos passar longe para evitar uma provocação, é melhor.

6- Permita que seu cão cumprimente outros cães amigáveis que estejam passeando na guia com outras pessoas. Não tenha medo de cães andando na guia e que mostrem interesse em se aproximar para cheirar o seu. A não ser que a postura seja agressiva ou se o seu responsável avisar que o cão é bravo, deixe que eles se cumprimentem, se inspecionem e interajam. Um cão cheirar o ânus de outro cão é o cumprimento normal canino. Não é nojento para eles e não deve ser interrompido nem desestimulado, muito menos punido. Para o cão, aproximar-se primeiramente do rabo do outro é a mesma coisa do que nós humanos darmos a mão ou um beijo no rosto de outra pessoa.

 

 

Larissa Rüncos é formada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Realizou estágio na University of California Davis (UCDavis) acompanhando a rotina clínica do Behavior Service (serviço médico-veterinário de comportamento animal), junto à professora Melissa Bain. Possui pós-graduação em Manejo Comportamental de Cães e Gatos pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). É mestranda pelo Laboratório de Bem-estar Animal – LABEA da UFPR, realizando pesquisa em comportamento e bem-estar de cães comunitários. Trabalha com etologia clínica, consultoria e aconselhamento comportamental de cães e gatos.


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