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O seu cão balança o rabinho? Saiba o que esse comportamento canino pode refletir

O que é a caudectomia canina? Desde quando ela está proibida e por quê?

Caudectomia é um procedimento cirúrgico no qual se retira a cauda do cão ou parte dela. Algumas raças tinham a cauda cortada como padrão, como o Rottweiler, o Poodle e o Pinscher, entre outras. Desde 2006, o Conselho Federal de Medicina Veterinária considerou como desaconselhável a prática dessa cirurgia com fins estéticos.


A caudectomia está proibida para todas as raças ou existe alguma exceção? Se sim, por qual motivo?

A exceção está na finalidade, ou seja, é permitido realizar a caudectomia em casos de indicação clínica. Por exemplo, se um cão tem uma fratura exposta na ponta da cauda e essa ferida está infectada. Além da dor da fratura, há o risco de infecção generalizada. Nesse caso hipotético, a cirurgia será indicada.

 

Como o movimento do rabinho pode refletir o comportamento dos cães?

A cauda é usada pelo cão para sua comunicação. Teoricamente ela tem a função de viabilizar duas vias de comunicação: visual e olfativa. A posição da cauda demonstra para outros cães a atitude corporal daquele cão, pode demonstrar medo, excitação ou agressividade. Para comunicar-se usando o olfato, o cão possui glândulas que liberam um odor que o caracteriza e que é único para cada indivíduo, como uma impressão digital. Essas glândulas se localizam ao lado do ânus. A cauda tem a função de dispersar mais ou menos o odor dessas glândulas, comunicando aos demais cães o quanto o emissor da mensagem quer ser notado. Há indícios de que animais caudectomizados (com a cauda cortada) desde filhotes têm maior propensão a manifestações agressivas fora de contexto. Tal fato se explica na deficiência da comunicação desse filhote, o que faz com que desenvolva uma agressividade defensiva aprendida na sua relação com seus irmãos de ninhada ou com outros cães adultos. Outra explicação para a agressividade é a possível dor crônica do coto. A remoção cirúrgica da cauda pode sensibilizar continuamente terminações nervosas e gerar dor.

 

Quais são os movimentos de rabo mais comuns e o que cada um deles pode significar? Alegria, tristeza, perigo?

As pessoas tendem a interpretar errado a movimentação de cauda do cão, por isso é bom evitar afirmações sobre a movimentação da cauda e seus significados, até porque há uma variedade de formatos de cauda entre as raças, o que dificulta sobremaneira tal generalização. Um engano comum, por exemplo, é que a cauda abanando é sinal de amizade. O cão pode estar abanando o rabo para ser notado no intuito de intimidar o seu "interlocutor"; se a intimidação não é entendida, o cão pode atacar. A interpretação, portanto, depende da leitura de toda a expressão corporal que o cão apresenta. Mas esse raciocínio da intenção de ser mais ou menos notado é uma boa linha de "leitura" da movimentação da cauda. Se a cauda está abanando, ele quer ser notado. Quanto mais intenso, mais notado quer ser. Se a cauda está escondida, ele não quer ser notado, por exemplo, quando está com medo.

 

Existe alguma explicação comportamental canina para a tentativa de perseguir o seu próprio rabinho para mordê-lo em movimentos circulares?

Perseguir a cauda é um comportamento lúdico dos cães. Ainda não há outra explicação para tal. Porém, se esse comportamento se repete com muita intensidade ou frequência, pode caracterizar um transtorno compulsivo, semelhante ao TOC em seres humanos.

 

Esse movimento pode ser prejudicial ao cão? Como é possível tentar educá-lo para evitar problemas?

O movimento não é prejudicial ao cão, mas, se é um comportamento compulsivo, é sinal de que há fatores estressantes na vida desse animal que devem ser controlados ou eliminados para a extinção do comportamento compulsivo e para a melhora da qualidade de vida desse cão. A movimentação em si não é problema, o problema começa se, em decorrência dela, o cão passa a se machucar esbarrando nas coisas ou mordendo com violência a ponta da cauda.

 

 

Dr. Guilherme Marques Soares - CRMV RJ 5092 - possui graduação em Medicina Veterinária (1996) pela Universidade Federal Fluminense, mestrado (2007) e doutorado (2010) na área de Clínica e Reprodução Animal pela Universidade Federal Fluminense. Tem experiência na área de Clínica de Pequenos Animais, com ênfase em Comportamento e Bem-Estar Animal. Atualmente é professor na Universidade Severino Somnbra.


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