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Quando uma mulher engravida, é normal que o outro filho sinta ciúmes, certo? Do mesmo jeito, os animais de estimação também costumam sentir ciúmes, mesmo antes do bebê nascer, principalmente naquelas casas em que ele é tratado como uma criança.

Segundo a veterinária especialista em comportamento animal, Rúbia Burnier, à medida que a gravidez avança, a futura mamãe diminui a disponibilidade para dar atenção ao cachorro e é aí que a situação pode complicar, especialmente se o cão for muito dependente e acostumado a ser o centro das atenções.

Mas o que fazer então? A veterinária explica que é preciso preparar o cão com antecedência, assim que a mulher souber da gravidez, incorporando-o à rotina da casa e à nova dinâmica que virá. Uma das dicas, segundo Rúbia, é simular com bonecas o ritual de ninar uma criança. "Também é interessante colocar na sala um carrinho de bebê e espalhar no ar cheiro de lavandas e talcos, pois quanto mais estímulo sensorial ligado ao bebê, mais fácil o cão se habituar à nova rotina", diz ela.

Se o vínculo com a gestante for muito grande, é hora de delegar funções a outras pessoas da casa. Se a grávida quiser deixar o cachorro cheirar a barriga, a veterinária diz que não tem problemas, porém, não é permitido pular nem tocar a barriga com as patinhas.

Outra dica da veterinária é enriquecer a rotina do animal com passeios e atividades lúdicas, socialização e treinamento de obediência para controlar a ansiedade do cão.

No dia do parto, o cachorro deve ficar com alguém que tenha afinidade e, após o bebê chegar em casa, deve esperar para conhecer o novo membro da família. "Durante as primeiras semanas, colocar uma meia com o cheiro do bebê ou uma fraldinha perto do comedouro do cachorro para que associe o 'intruso' a algo positivo", diz ela.

O cachorro não deve poder entrar no quarto do bebê, principalmente nos primeiros dias. Bebês recém-nascidos são muito vulneráveis e a higiene do ambiente deve ser levada a sério. O quarto do bebê deve ter uma grade que impede o acesso do cachorro, mas que permite ver o que está dentro. À medida que a nova rotina se estabiliza, aos poucos, o cão pode ter mais intimidade com o bebê, mas nunca deixá-lo sozinho com a criança. "Nunca deixar o animal sozinho com a criança, toda interatividade deve ser supervisionada por um adulto. Cães tendem a adotar recém-nascidos e protegê-los. Não permitir que transfiram à criança a possessividade que sentem pela dona", diz ela.

Alguns animais costumam agir com agressividade quando estão com ciúmes, mas, de acordo com a veterinária, eles não devem ser tratados com agressividade, muito menos ser isolados do convívio familiar. Ao contrário, é preciso entender que a responsabilidade em facilitar a adaptação é dos donos, por isso, se os donos não conseguirem fazer essa adaptação, o ideal é procurar ajuda de um profissional para orientar a família sobre a melhor forma de agir. "Se a mãe não tem tempo pra dar atenção, outras pessoas devem substituí-la na função. Mesmo com a rotina apertada, é possível dar 15 minutos de atenção ao cachorro, que antes era o 'filhinho' querido", diz ela.

Não ser o centro das atenções, perder atenção diferenciada de quem se tem enorme apego, lidar com uma nova rotina e ainda ter que se acostumar com novos cheiros e sons não é nada fácil pro cachorro. É que ele ainda não sabe que ganhou um parceiro de brincadeiras e excelente doador de tranqueiras (bolachas, frutinhas etc.). Com naturalidade, carinho e muita paciência a vida entra nos eixos.

 

Rubia Burnier é veterinária e terapeuta compartamental há 25 anos. Proprietária da empresa Espaço Animal, onde realiza atendimento clínico e terapia familiar, melhorando a interatividade e a convivência entre bichos e pessoas. 


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