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Uma pequena viagem de carro pode ser um transtorno para os gatos, certo? A veterinária Leila Sena explica que a maioria dos gatos fica estressada ao andar de carro, alguns mais, outros menos e isso ocorre porque, ao retirar o animal do seu habitat usual, naturalmente, se desperta medo e ansiedade. Gatos são animais que demarcam seu território e qualquer alteração nessa condição pode gerar mudanças em seu comportamento habitual.

Quando falamos de gatos que vão viajar ou mudar de casa com os donos, ou que vão ao veterinário estando com alguém que faz parte do seu convívio e que tem uma boa relação, vemos gatos mais assustados do que agressivos. Geralmente gatos que foram socializados desde pequenininhos, com humanos e outros gatos, apresentam um comportamento de se esconder ou ficar no fundo da caixinha de transporte e raramente atacam os donos ou as pessoas que tentam manipulá-los. A agressão em si é a última alternativa para esses animais. Já aqueles que foram pouco socializados e que têm histórico de agressão aos donos são os que costumam se tornar bem agressivos ao andar de carro. "Digo isso porque nem todo gato vai demonstrar agressividade ao andar de carro, somente medo, e o medo desperta a 'necessidade de se esconder ou de fugir', sem precisar atacar ninguém", explica a veterinária.

Como, então, tornar a viagem agradável para o dono e para o gato?

Leila explica que o dono precisa entender que não existe uma fórmula que irá tornar a viagem 100% agradável para o gato. Alguns gatos demonstram melhor tolerância a mudanças, mas nunca sem o fator estresse.

Para qualquer viagem, para a segurança do animal e das pessoas, o ideal é que o gato seja transportado em uma caixinha de transporte própria para animais, preferencialmente uma que possibilite ao animal ficar em pé e se movimentar se assim desejar. Para a maioria dos gatos, entrar na caixinha já é bem estressante, porém, existem métodos para que a caixinha seja mais bem aceita. Hoje no mercado brasileiro temos um feromônio em spray que pode ser aplicado em alguns locais e sua ação é justamente trazer maior tranquilidade e segurança no local em que esse animal se encontra. Esse feromônio é similar ao feromônio natural que os gatos liberam quando estão se sentindo bem e seguros, e costuma funcionar bem quando aplicado corretamente. O proprietário deve aplicá-lo na caixinha antes do transporte, porém, a veterinária explica que a caixinha deve fazer parte da vida do gato pelo menos dias antes de uma viagem, isto é, você deve limpar bem a caixa, aplicar o feromônio, aguardar alguns minutos e deixar exposta para o gato.

Outra sugestão é tornar a caixa mais atrativa colocando alguns petiscos ou ração dentro e mostrando em seguida para o gato. Com o tempo eles se aproximam. O ideal é não forçar a entrada na caixa, lembrando que quanto mais vezes ele já foi transportado nessa caixa de forma estressante, maior será a demora em aceitá-la como um ambiente confiável.

Em viagens de carro, você pode ainda colocá-lo ao lado de alguém em quem ele confie e com quem possa fazer algum contato visual. Em algumas empresas aéreas é autorizado ao dono viajar com o gato na cabine, porém, sempre na caixinha de transporte. O dono pode reservar junto à companhia a viagem do gatinho na cabine com certa antecedência, pois costumam ser uma ou duas vagas, o que minimiza o estresse de viajar no compartimento de cargas do avião.

Opte ainda por colocar um paninho ao qual o felino esteja acostumado; costuma ajudar tanto para se esconder embaixo como para tornar o chão da caixa mais confortável.

No caso de viagens de avião, a veterinária faz uma recomendação: para animais que serão transportados por companhias aéreas no compartimento de cargas, devido a alguns históricos de perda de animais em aeroportos, procure sempre utilizar uma caixa mais reforçada e segura, que apresente boas travas de segurança. "Infelizmente, já conhecemos casos de animais que fugiram porque a caixa quebrou ou abriu, e o resgate desses animais foi difícil de acontecer ou eles nunca foram encontrados, e como estamos falando de gatos, devido à sua agilidade e velocidade, toda segurança deve ser reforçada", diz ela.

Alimentação e necessidades fisiológicas

Em situações de estresse o gato costuma não querer comer ou "utilizar o banheiro". Em algumas caixas pode-se encaixar comida e água, porém, sempre há o risco de derramar em caso de turbulência ou por conta da estrada. "Sempre que o dono tiver como oferecer algum alimento para o gato durante a viagem, costumo indicar somente a alimentação úmida, seja em sachê ou em latinha. Como se trata de uma ração com água, quando o felino está disposto a se alimentar, a ingestão da ração em sachê e latinha é ideal, pois, além de repor os nutrientes, também ocorrerá a ingestão de água sem precisar forçá-lo a isso, pois faz parte da composição da ração", diz ela. Em viagens longas de avião, algumas caixas de transporte têm um compartimento para água e comida, e vale a pena utilizá-los, mas não há garantia de que não será derramado durante a viagem. E ainda no caso de viagens longas aconselho uma caixa maior, onde se pode tentar encaixar e prender uma minicaixa de areia caso o animal decida utilizar. Mas também corre o risco de derramar. A verdade é que a maioria dos felinos evita utilizar a caixinha de areia, pois não está muito confortável com a situação, e eles não costumam gostar de comida tão perto do local onde fazem as necessidades, o que é uma característica da espécie. O banheiro para eles costuma ser um local bem determinado. Por isso, o conselho da veterinária é, assim que chegar ao local de destino, colocar o animal em um local seguro e pequeno (um banheiro ou lavabo), somente com a caixinha de areia para que ele possa utilizar se assim desejar.

Muitos donos optam por dar medicamentos para o animal dormir, mas, segundo a veterinária, isso não é indicado. "Não aconselho sedar um animal sem ter um veterinário junto, é muito arriscado. Existem alguns florais com propriedades calmantes, que não são sedativos, que podem ser utilizados", diz ela.

No caso de viagens muito longas, a veterinária é categórica: evite-as sempre que possível. Naqueles casos em que se trata somente de uma viagem de família, de curta duração, o melhor para o gato é que ele fique em casa, sendo monitorado por algum conhecido. "Atualmente, na maioria das cidades temos pet/cat sitters, que são babás para animais, e existem aquelas especializadas somente em felinos. Como a introdução de uma nova pessoa também pode ser estressante para o gato, indico que o(a) cat sitter seja apresentado(a) bem antes da viagem, junto com os donos, e que o dono sinta como o animal reage à presença dessa pessoa. Quanto mais contato na presença do dono, menos ele estranhará essa pessoa quando estiver sozinho com ela", explica Leila.

No caso de mudança de moradia, é preciso ter paciência, e sempre observar bem o felino nos dias após a mudança. Qualquer alteração como vômitos, diarreia, animal muito quieto ou sem se alimentar, não hesite em procurar um serviço veterinário local e, se possível, especializado. O estresse pode desencadear alterações de comportamento, mas também doenças. Uma delas é a lipidose hepática, que é muito comum após períodos de estresse e que pode resultar no óbito, quando não diagnosticada e tratada a tempo.

Para toda viagem certifique-se de que o animal está apto a realizá-la. Procure um veterinário para ver se o felino está em condições de viajar e realize os exames solicitados. Quando falamos de gato, devido à característica da própria espécie, eles não costumam demonstrar facilmente quando estão doentes, e o fator estresse pode piorar se alguma doença existir. Em se tratando de gatinhos idosos, o cuidado deve ser redobrado, pois a idade pode interferir na recuperação do animal caso o estresse desencadeie alguma manifestação. Essa dica vale mesmo com o animal fazendo check-ups regulares.

 

 

Leila Sena é médica-veterinária especializada em medicina de felinos pela Anclivepa- SP. Graduada em 2008 pela Universidade Federal de Goiás. Membro da ISFM (International Society of Feline Medicine). Atualmente, atua em Brasília e Goiânia, com atendimento especializado em felinos. É autora do portal www.medicadegatos.com.br


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