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No ano de 1997, quando foram divulgados os primeiros resultados dos estudos de clonagem da ovelha Dolly, ficou clara a evolução pela qual passaram as técnicas de reprodução assistida. Tal método consiste na utilização de técnicas reprodutivas artificiais (TRA), que mimetizam processos fisiológicos envolvendo a biologia reprodutiva.

"As TRAs são ferramentas importantes não só no estudo da fertilização e preservação de material genético, mas também no desenvolvimento da pesquisa básica e para um aumento da performance reprodutiva dos animais", explica a médica-veterinária Maria Denise Lopes.

O sucesso das técnicas in vitro depende basicamente da possibilidade de mimetização das condições in vivo. Por essa razão, o conhecimento da fisiologia reprodutiva é muito importante para a definição de um sistema inteiramente in vitro eficiente para a produção de embriões.

"São várias as técnicas utilizadas na reprodução assistida, desde aquelas relacionadas às fêmeas, como a indução e sincronização do estro, maturação oocitária in vitro (MIV), como aquelas envolvendo os machos: coleta, refrigeração e congelamento de sêmen. Existem também as técnicas envolvidas na produção de embriões in vitro: fertilização in vitro (FIV), injeção espermática intracitoplasmática (ICIS), transferência de embriões (TE), clone, etc.", destaca Maria Denise.

Saiba mais sobre a reprodução assistida em animais, inclusive os de pequeno porte, na entrevista completa com a médica-veterinária.

 

A reprodução assistida em animais de pequeno porte possui alguma característica em particular?

As TRAs têm se desenvolvido lentamente nos canídeos quando comparadas a outras espécies. Por outro lado, as técnicas de reprodução assistida passaram por um grande avanço no gato doméstico e nos felinos silvestres. Um dos motivos dessa diferença é, em parte, devido à utilização do gato doméstico como modelo experimental de doenças humanas e de alterações genéticas, o que estimulou o uso dessas técnicas nesses animais. Outro fator é a própria fisiologia da espécie canina, que é particular em vários aspectos.

Nas cadelas, o gameta feminino apresenta características únicas. As principais diferenças são representadas pelo ambiente folicular e pelo estágio meiótico no momento das ovulações. Nas cadelas, raposas e outros canídeos, os folículos ovarianos se luteinizam antes das ovulações, expondo os oócitos a altas concentrações de progesterona. Após a onda pré-ovulatória de LH (hormônio luteinizante), os oócitos são liberados espontaneamente, ainda como oócitos primários. Estágios subsequentes de maturação nuclear são reiniciados nas tubas uterinas e levam cerca de 2 a 3 dias para se completarem.

Essas diferenças na fisiologia reprodutiva dos canídeos, associadas à ausência de informações a respeito do ambiente tubárico, explicam o desenvolvimento mais lento das TRAs nos cães. Além dessas particularidades, considerações socioeconômicas são fatores importantes. No caso dos cães e gatos, devem ser considerados os sérios problemas de superpopulação.

 

Por que criadores e potenciais compradores geralmente priorizam a criação de raças "puras"?

Geralmente, os criadores ou os eventuais compradores focam prioritariamente o aspecto fenotípico de seus animais, ou seja, as características externas, como pelagem, tamanho, características de cabeça, ossatura, etc. Muitas vezes, para se conseguir essas características, utilizam-se cruzamentos endogâmicos que diminuem a diversidade genética entre os animais. Nos carnívoros, as TRAs sofreram um grande avanço quando a comunidade científica se interessou pela preservação da biodiversidade.

 

O que a reprodução assistida de pequenos animais traz de benefícios?

A reprodução assistida permite a preservação de gametas masculinos e femininos, que podem ser usados no futuro, aumentando a diversidade de muitas espécies, principalmente aquelas em extinção. Ela permite ainda melhorar a performance reprodutiva de animais geneticamente superiores, assim como a produção de embriões in vitro e tudo o que essa biotécnica representa em termos de ganho genético. O conhecimento de eventos fisiológicos como a endocrinologia, fertilização e a implantação foi muito maior e mais rápido após o uso das TRAs. A clonagem e o uso das células-troncos são consequências da utilização e dos avanços das técnicas de reprodução assistida. Portanto, são incontáveis os benefícios envolvidos.

 

A reprodução assistida possui alguma restrição ou já está consolidada nos dias de hoje?

Nos animais, diferentemente dos seres humanos, não há restrições para o uso das TRAs, pelo menos no aspecto ético. O avanço da reprodução assistida é diferente nas diferentes espécies. Nos animais de produção e de interesse zootécnicos, as técnicas estão bastante desenvolvidas e, portanto, mais consolidadas. Já nos carnívoros domésticos, os avanços são mais lentos, principalmente nos cães basicamente devido às particularidades reprodutivas dessa espécie.

 

 

Dra. Maria Denise Lopes é Médica-Veterinária graduada pela FMVZ, UNESP, Campus de Botucatu, em 1978, mestrado pela UFMG, na área de Clínica e Cirurgia, doutorado pela FMVZ, Botucatu, em Fisiopatologia Médica e Livre Docência em 2002 também pela FMVZ /UNESP, Botucatu. Professora Titular em 2009. Atualmente é professora Titular do Departamento de Reprodução Animal e Radiologia Veterinária e vice-diretora da FMVZ, UNESP, Botucatu, para o período de 2012 a 2015. Trabalha e orienta projetos em Biotecnologia e Fisiopatologia da Reprodução de Carnívoros.

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