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ração para cães e gatosA alimentação do cão e do gato deve ser constituída apenas de ração? Ou pode-se oferecer também frutas, legumes e outros tipos de alimentos?

Cães e gatos precisam receber diariamente todos os nutrientes essenciais à sua saúde. Esses nutrientes essenciais são aminoácidos, ácidos graxos, vitaminas e minerais, que fazem parte de todo o organismo, e que são encontrados em diferentes tipos de alimentos.

 

Entretanto, para garantir que todos esses nutrientes sejam fornecidos diariamente, a melhor recomendação é o uso de um alimento industrializado (ração) de boa qualidade, de fabricante reconhecido, pois esses alimentos foram formulados, balanceados e testados para garantir que os animais receberão tudo o que precisam para serem saudáveis. O uso de alimentos caseiros não garante o fornecimento de todos os nutrientes essenciais, o que torna esses pets mais suscetíveis ao desenvolvimento de vários problemas de saúde, como deficiências nutricionais e obesidade. Além disso, mesmo quando o proprietário fornece um alimento industrializado, mas também fornece outros petiscos, o pet terá menos fome e reduzirá a ingestão do alimento industrializado, e poderá também desenvolver deficiências nutricionais. O fornecimento de petiscos não deve ser uma prática rotineira, pois também pode causar problemas à saúde dos animais.

 

Qual a importância de oferecer somente a ração para os animais domésticos?

Cães e gatos que são alimentados exclusivamente com produtos industrializados de alta qualidade durante toda sua vida têm importantes ganhos para sua saúde, que se refletem em aspectos como:

- Maior longevidade, isto é, vivem muito mais que animais que não consomem alimentos balanceados. Atualmente, percebe-se um significativo aumento no tempo médio de vida de cães e gatos, graças, principalmente, ao aumento do uso de alimentos industrializados, associado aos avanços da veterinária, que permitem tratamento mais eficiente de diversas doenças;

- Minimização do desenvolvimento ou da severidade de diversas doenças, como problemas osteoarticulares e deficiências nutricionais;

- Facilidade no fornecimento do alimento industrializado para o animal;

- Mais segurança alimentar e qualidade do alimento fornecido.

 

Como proceder com filhotes? Deve-se oferecer o tanto de ração que eles quiserem consumir ou devem ser estipuladas quantias?

Os filhotes, por estarem em fase de crescimento, devem ter sua alimentação adequadamente acompanhada, para que se evite o consumo maior ou menor de alimento que o recomendado pelo fabricante. Se o filhote come mais do que precisa, vai aumentar rapidamente de peso e tamanho, sendo que o seu esqueleto ainda não está maduro o suficiente para suportar esse ganho rápido de peso, o que pode contribuir de forma determinante para o desenvolvimento de problemas como a obesidade juvenil, doenças osteoarticulares (importantes em cães de porte grande e gigante, como a displasia coxofemoral, osteocondrose e o desvio angular ou "entortamento" de patas), entre outros. Já os pets que comem menos que o recomendado pelo fabricante podem ter seu crescimento retardado ou até comprometido por desnutrição. Atualmente, verifica-se um grande aumento do número de filhotes com doenças decorrentes da superalimentação, se considerarmos animais que possuem proprietários.

 

Quantas vezes ao dia deve ser oferecida a ração para o cão e para o gato adulto?

Existem diferenças importantes entre os hábitos alimentares de cães e gatos. Os gatos fazem pequenas e múltiplas refeições ao dia, e preferem se alimentar no período noturno. Os cães fazem refeições com maior quantidade de alimento e em menor número. Por isso, deve-se primeiramente verificar qual a quantidade total de alimento que o animal deverá receber por dia e dividi-la em duas ou três refeições, mas tendo em mente que boa parte dos cães vai ingerir imediatamente tudo o que for colocado no comedouro, e os gatos vão se alimentar durante todo o dia e noite. Importante sempre jogar fora as sobras de um dia para outro, para que alimentos não envelheçam e se tornem contaminados nos comedouros.

 

Como escolher uma boa ração? O que procurar na embalagem?

Diversas observações devem ser feitas pelos proprietários para se escolher um bom alimento para seu pet. Primeiramente, deve-se buscar alimentos de fabricantes reconhecidos e de melhor qualidade, chamados de "super premium". Depois, dentre as opções "super premium" buscar por alimentos que atendam às necessidades de porte ou raça e idade do animal. Após essa etapa, dentre as opções disponíveis, o proprietário deve consultar no rótulo informações nutricionais, como a lista de ingredientes e os níveis de garantia do produto, como a quantidade de energia metabolizável (quantidade de calorias que o alimento fornece por quilo), a quantidade de proteína, gordura e cálcio. Os alimentos variam de forma muito importante em relação ao fornecimento de nutrientes, mas devem estar adaptados para os animais aos quais se destinam.

De maneira geral, um alimento “super premium” de qualidade fornece:

- Entre 3.800 e 4.200 kcal/kg;
- Proteína: pelo menos 22% para cães adultos, pelo menos 25% para filhotes de cães, pelo menos 28% para gatos adultos e pelo menos 31% para filhotes de gatos. As proteínas devem ser de alta digestibilidade (em produtos de excelente qualidade o fabricante garante digestibilidade de pelo menos 90% da proteína);
- Gordura: pelo menos 10%;
- Cálcio: entre 0,8% e 1,8% para cães e gatos adultos; entre 1,0% e 1,5% para cães e gatos filhotes;
- Matéria mineral menor que 8%;
- Fibra bruta menor que 3%;
- Ingredientes de origem animal e vegetal como fontes de gordura e proteínas de alta qualidade (óleo de peixe, gordura de bovinos ou aves, óleos vegetais, farinha de vísceras de frango, proteína isolada de suíno, glúten de trigo, proteína de soja etc.);
- Uso de minerais quelatados (alta absorção);
- Uso de diferentes nutracêuticos (alimentos funcionais) como polifenóis e chá-verde (antioxidantes), zeolita (proteção da mucosa intestinal), manano-oligossacáridos e fruto-oligossacáridos (prebióticos), óleo de peixe (fonte de ácidos graxos ômega 3), óleo de borragem (fonte de ácidos graxos ômega 6) ou glicosamina e condroitina (saúde de articulações);
- Verificar se o fabricante disponibiliza materiais informativos sobre seus alimentos, pois normalmente existem mais informações nesses materiais que podem auxiliar o proprietário na hora da decisão.

 

A partir de quanto tempo o filhote deve começar a comer ração para adulto?

Existem cães e gatos de diferentes tamanhos. Quanto maior o animal, mais tempo demora para se tornar adulto. A idade média para cães e gatos atingirem a fase adulta é 12 meses. Entretanto, se pensarmos em cães de diferentes portes e raças, cães de pequeno porte (peso adulto de até 10 kg) atingem a fase adulta com cerca de 10 meses, enquanto que para cães de porte grande (peso adulto entre 26 kg e 45 kg) a fase de crescimento se estende pelo menos por 15 a 18 meses, podendo chegar a 24 meses em cães de raças gigantes (peso adulto maior que 45 kg). Por causa dessas particularidades, deve-se verificar para cada animal qual a idade em que ele termina sua fase de crescimento e seguir as orientações de rótulo fornecidas pelos fabricantes sobre a idade da mudança da alimentação.

 

Se o cão ou gato for de pequeno porte, ele pode comer ração para filhotes o resto da vida ou essa prática pode privá-lo de alguma vitamina necessária?

Essa prática é equivocada, pois atualmente existem alimentos de acordo com a raça ou tamanho de cães e gatos, e que também consideram sua idade. Ou seja, é possível encontrar alimento para um cão mini adulto ou filhote. Cada fase da vida dos animais exige concentrações diferentes de vários nutrientes. Exatamente por isso a melhor recomendação é que seja utilizado o alimento adequado, que foi especialmente desenvolvido para atender às necessidades específicas de cada idade, porte e raça, e com isso promover uma vida mais saudável.

 

A ração interfere na textura e no cheiro das fezes?

Sim. A qualidade do alimento interfere diretamente em seu aproveitamento pelo organismo e aspecto das fezes. O que sai nas fezes é justamente o que o animal não conseguiu aproveitar. Ou seja, se o alimento é de alta qualidade, propiciará alta absorção de seus nutrientes e as fezes serão em pequena quantidade, bem formadas e com pouco cheiro. Se o alimento é de má qualidade, boa parte dele não será aproveitada e será eliminada, levando à formação de fezes mais volumosas, amolecidas e com cheiro mais forte.

 

O dono deve colocar a ração apenas no horário que o animal deve comer ou pode deixar o pote cheio para quando o cão tiver vontade de se alimentar?

A quantidade de alimento a ser oferecida por dia deve sempre ser controlada. Entretanto, existem animais que vão comer todo o alimento imediatamente, e outros que irão se alimentar aos poucos durante o dia. Alimentos industrializados extrusados (secos) poderão ficar disponíveis no comedouro durante o dia para animais que fazem pequenas e múltiplas refeições, desde que seja controlada a quantidade diária máxima a ser colocada no comedouro (para evitar que o animal coma mais do que o necessário e se torne obeso) e desde que as sobras do dia anterior sejam sempre descartadas.

 

Oferecer a ração uma vez por dia apenas não deixa o animal com fome? Como saber que ele está faminto?

Como já mencionado, o importante é garantir que o animal receba toda a quantidade de alimento recomendada por dia pelo fabricante. O número de refeições pode variar de acordo com cada animal ou disponibilidade do proprietário, mas sempre é preferível que sejam fornecidas pelo menos duas ou três refeições por dia, para se evitar problemas digestivos em animais que comem o alimento muito rápido.

 

Durante uma viagem em que o cão ou gato fica sozinho em casa, como proceder? Deixar muita comida e água disponível é recomendado?

A recomendação é a mesma sempre, ou seja, o animal deverá receber a quantidade recomendada de alimento diariamente, bem como ter sua água trocada. O alimento não pode ficar disponível por vários dias, sem ser trocado, pois essa prática pode causar diferentes tipos de problemas para o animal. Quando falamos de animais saudáveis, que não estão obesos e comem o alimento devagar ao longo do dia, durante o período de viagem dos proprietários alguém poderá cuidar desse animal apenas uma vez ao dia. Quando nos referimos a animais com problemas de saúde, obesos ou muito glutões, eles terão que receber pelo menos duas refeições ao dia para se evitar problemas de saúde. Ou então se corre o risco de o proprietário colocar, por exemplo, comida e água para três dias de uma vez, e o animal comer tudo no mesmo dia e depois passar fome nos outros dias. Ou, também, derrubar a água por acidente e depois passar sede até o retorno do proprietário.

 

Qual a quantidade de ração indicada de acordo com cada idade/peso?

A recomendação de quantidade de alimento de acordo com a idade e peso do animal depende de cada alimento a ser fornecido. Existem fórmulas matemáticas que são usadas pelos fabricantes de alimentos industrializados para se calcular essas quantidades, e essas informações constam no rótulo de cada produto. Por isso, a recomendação é sempre seguir a orientação do fabricante para cada alimento.

 

Se o cão comer muito rápido a ração significa que ele ainda está com fome? O dono deve colocar mais?

Existem cães e gatos chamados de "glutões", ou seja, comem muito rápido sempre, e parecem nunca estarem satisfeitos, mesmo estando em ótimas condições de saúde e peso. Para animais assim, é ainda mais importante que o proprietário controle rigorosamente a quantidade diária de alimento que está sendo fornecida, bem como evite ao máximo o fornecimento de petiscos e alimentos caseiros, pois esses animais têm muito mais propensão para se tornarem obesos que os outros. Isso acontece por questões comportamentais ou porque eles não possuem um controle adequado de sua sensação de saciedade, podendo comer quantidades exageradas de alimentos diariamente. Também é importante que esses animais sejam pesados regularmente, para auxiliar na prevenção da obesidade. Nunca o proprietário deve ceder às solicitações de mais comida que, invariavelmente, esses animais fazem, justamente para evitar o ganho de peso e problemas de saúde secundários à obesidade ou a uma alimentação desbalanceada e desregrada.

 


Dra. Luciana Domingues de Oliveira é Médica-Veterinária com mestrado e doutorado na área de Nutrição de Cães e Gatos. É também Consultora Técnica e Científica da Royal Canin do Brasil.



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