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Uma das doenças que mais matam no mundo atualmente é o diabetes. Mas engana-se quem pensa que esta enfermidade é exclusiva dos seres humanos. Pequenos e grandes animais também são suscetíveis a esta doença. Entre os de estimação, a maior parte dos casos registrados dentro da medicina veterinária tem como vítimas cães e gatos

 

Diabetes caninaO diabetes é um distúrbio complexo que resulta na incapacidade do pâncreas em produzir insulina. Em vários animais, como cães e gatos, isso também pode ocorrer. Essa anormalidade causa hiperglicemia, que é o aumento de açúcar no sangue e na urina.

“As causas que predispõem o surgimento do diabetes em cães e gatos são multifatoriais. Dentre as mais comuns observa-se o uso de anti-inflamatórios glicocorticoides, obesidade, sedentarismo, predisposição genética (raças como Poodle Miniatura, Rottweiler e Samoeida), pancreatite crônica recidivante, traumatismo no pâncreas, neoplasias e síndrome de Cushing (hiperadrenocorticismo). Os quatro sinais clínicos clássicos são poliúria (urina em grande quantidade), polidipsia (bebe muita água), polifagia (come demais) e perda de peso (emagrecimento)”, explica o médico-veterinário Saulo Tadeu Lemos Pinto Filho.

Assim como nas pessoas, o diabetes tem dois tipos comuns: o diabetes mellitus e o diabetes insipidus.


Diabetes Mellitus

O diabetes mellitus é o tipo mais comum em cães e gatos. Caso não seja diagnosticado a tempo de tratamento, pode ser fatal. Este é o tipo de diabetes caracterizado pelo excesso de glicose (açúcar) no sangue. O nível normal de glicose para cães e gatos é de até 110 mg/dl (miligramas de açúcar por decilitros de sangue). Quando a taxa é superior a esta, o animal é diagnosticado com diabetes.

Esta doença é caracterizada pela pouca produção do hormônio “insulina” pelo pâncreas, órgão que também é responsável pela produção de enzimas digestivas. Há vários fatores que a causam, incluindo predisposição genética, infecções, doenças, drogas, inflamação do pâncreas e do íleo nos cães.

Os primeiros sintomas que o animal apresenta quando tem diabetes costumam ser aumento do consumo de água, excesso de urina e grande apetite, sendo que o bicho, apesar de comer mais, começa a emagrecer. Se não tratada de forma correta, a doença pode apresentar complicações, como, por exemplo, problemas articulares. Porém, a principal delas é o surgimento de catarata (doença oftalmológica que consiste na opacidade total ou parcial do cristalino) nos dois olhos do animal, o que pode deixá-lo cego. Em muitos casos também se pode notar um hálito forte com odor de acetona, dificuldade respiratória, depressão e vômitos.

Na presença desses sintomas, o animal realiza o exame de sangue, urina e bioquímicos, onde é dosada sua glicose e verificadas as funções bioquímicas. O tratamento depende dos resultados. Nos casos mais graves é indicada – além do regime alimentar – a aplicação de insulina. Hoje já existem no mercado rações especiais para cães e gatos diabéticos.

 

Diabetes Insipidus

O diabetes insipidus está relacionado à água, que deixa de ser absorvida e faz com que o animal passe a urinar mais e também a ter mais sede, fazendo com que os sintomas sejam semelhantes aos do diabetes mellitus. O problema pode levar à deficiência de eletrólitos no organismo e também a alterações de pelo, sendo caracterizado como uma doença da hipófise (glândula que fica na base do cérebro e é responsável pela produção do hormônio antidiurético). O diabetes do tipo insipidus também pode ser genético ou adquirido, resultando de problemas no rim. O tratamento é feito com base em suplementação hormonal.

O tratamento do diabetes mellitus em cães e gatos consiste num processo terapêutico. No começo geralmente é necessário que o animal fique internado para que se dê início à regulação dos níveis de glicose. Posteriormente, o bichinho passa a se alimentar somente de ração especial diet e a receber injeções de insulina de duas a três vezes ao dia. Estas devem ser dadas sempre nos mesmos horários e em quantidades adequadas pelos proprietários, pois o excesso também pode gerar problemas, como, por exemplo, crises convulsivas.

Periodicamente, o paciente terá que passar por exames para que seja medida a taxa de açúcar.

No diabetes insipidus, o tratamento do diabetes insípido central é substitutivo, baseado em injeções de hormônio antidiurético. O diabetes insípido renal é mais problemático, pois é decorrente de um fator primário que está afetando os rins.

“A prevenção está em submeter os animais a um conjunto de procedimentos a fim de evitar algumas das suas principais causas, ou seja, submeter o animal a exercícios físicos diários (preso à coleira e guia), fornecer ração de boa qualidade e na quantidade correta para o tamanho do animal, evitar uso de medicamentos sem a prescrição do médico-veterinário e evitar adquirir animais cujas famílias tenham casos de diabetes em função da predisposição genética. Desse modo, o proprietário estará prevenindo, dentro do possível, a ocorrência da doença em seu animal”, finaliza Saulo.

 


Prof. Saulo Tadeu Lemos Pinto Filho é coordenador do Curso de Medicina Veterinária/PUCRS e diretor do Hospital Veterinário/PUCRS.



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