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Vômito e diarreia em gatos e cachorros“Quando o proprietário percebe que seu animal está vomitando ou já teve o episódio de vômito ou de diarreia, deve observá-lo pelas próximas horas para verificar se ele continuará vomitando ou não ou tendo diarreia ou não”, explica o médico-veterinário Saulo Tadeu Lemos Pinto Filho.

Neste caso inúmeras causas estão ligadas a esses problemas apresentados pelos pets. No caso do vômito, pode-se atribuir a inúmeras causas e não se pode ter um diagnóstico preciso da doença somente com este sinal clínico. O vômito expelido pelo animal é uma substância incolor e espumosa constituída de suco gástrico. Às vezes, pode ter coloração amarelada por refluxo de bílis. Vomitando excessivamente, o animal corre o risco de desidratação, uma vez que ele não absorve a água necessária para a sua manutenção. Além disso, ocorre um desequilíbrio eletrolítico, pois o animal perde muito ácido. O cão torna-se fraco e apático. Deve-se corrigir a desidratação, caso ocorra, e o equilíbrio do organismo.

"A causa mais frequente de vômito é a gastrite alimentar e a de diarreia é parasitismo (verminose) ou enterite alimentar. Se for de causa alimentar, o animal vomita e/ou apresenta a diarreia, porém, a tendência do processo é ser autolimitante, ou seja, o próprio organismo trata de expulsar o agente causador. O vômito e a diarreia são mecanismos de defesa do organismo, temos que ter cuidado, pois eles levam à desidratação dos animais, como nas crianças", explica Saulo.

Já a diarreia consiste na perda de líquido através das fezes, que se tornam pastosas ou líquidas. O animal com uma diarreia intensa (líquida e em grande quantidade) fica desidratado muito rapidamente. Mesmo que ele esteja bebendo líquidos, muitas vezes, a perda é maior que a reposição, ocasionando uma desidratação leve, moderada ou grave. Neste caso também ocorre o desequilíbrio eletrolítico, pois, através da diarreia, o organismo torna-se muito ácido. O animal fica muito apático, fraco, pode ter tremores pela dor abdominal causada por cólicas (fortes contrações intestinais para expulsar as fezes).

A diarreia pode ser causada por vermes, viroses (parvovirose, coronavirose), intoxicações, alimentos estragados, estresse (mudanças de ambiente ou rotina na casa), mudanças alimentares bruscas ou até por problemas psicológicos. Se a desidratação for grave, o animal pode estar correndo risco e deve ser levado ao veterinário imediatamente.
"No caso de diarreia, não é indicado utilizarmos medicamentos para parar o processo, pois ele está justamente expulsando o agente agressor. Se, após isso, o proprietário verificar que o animal continua vomitando ou tendo diarreia, deve imediatamente procurar o médico-veterinário para que ele tome as providências necessárias", afirma Saulo.

Esses dois sintomas, quando apresentados de forma intensa, não chegam a ser uma emergência veterinária, mas, se o proprietário não tomar medidas urgentes, eles podem levar o animal à morte por desidratação.

 

Como evitar

De acordo com Saulo, para evitar que o animal tenha alterações que levem ao vômito ou à diarreia, o proprietário deve evitar expor seu cão ou gato aos fatores causadores delas. Começamos pela alimentação balanceada. Os cães e gatos devem ser alimentados com ração de boa qualidade, e não com comida caseira.

A ração contém os nutrientes necessários para a manutenção do animal, conforme sua idade, evitando em grande parte a obesidade e a desnutrição; também evita, na maioria dos casos, a doença periodontal por prevenir o acúmulo de placa bacteriana e, consequentemente, o cálculo dentário, que podem levar a alterações locais na cavidade oral e outras alterações, sistêmicas e muito mais graves, em nível de coração, rins, fígado e articulações.

A comida caseira, além de favorecer o acúmulo de placa e cálculo dentário, na maioria das vezes, é oferecida ao animal com adição de sal e outros temperos, o que leva a intoxicações e alergias alimentares e, ao longo da vida dos animais, a doenças cardíacas, renais, entre outras, como gastroenterites (vômito e diarreia) causadas pela irritação do sal nas mucosas gástrica e intestinal.

Outra atitude a ser tomada pelos proprietários é evitar que o animal tenha a sua disposição objetos estranhos (pregos, pedras, chupetas, prendedores de roupa, ossos pequenos e pontiagudos, como frango, etc.), lixo, restos de comida, medicamentos, inseticidas, raticidas, entre outros, para evitar ingestão por parte do cão ou gato, assim evitando transtornos futuros.

A manutenção da vermifugação e da vacinação é muito importante, pois previne as doenças parasitárias (verminoses) e virais (cinomose e parvovirose em cães) que causam vômito e diarreia e podem, inclusive, levar os animais à morte. Com essas medidas, os proprietários estarão evitando 90% das causas de vômito e diarreia ocorrentes em animais de companhia (cães e gatos).

 

 

Prof. Saulo Tadeu Lemos Pinto Filho é coordenador do Curso de Medicina Veterinária/PUCRS e Diretor do Hospital Veterinário/PUCRS.



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