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Uma doença comum em animais de estimação e que aparece em todos os cantos do mundo, sobretudo em regiões litorâneas, onde há grande número de mosquitos vetores, tem preocupado muitos donos e veterinários. É a dirofilariose, uma doença causada por um parasita nematódeo, denominado Dirofilaria immitis, conhecido popularmente como o "verme do coração".

"A doença é transmitida por meio da picada de insetos vetores, como mosquitos dos gêneros Aedes e Culex. O mosquito ingere larvas (microfilárias) presentes no sangue periférico de um cão parasitado. Após isso, essas larvas evoluem no próprio mosquito na fase infectante, transmissível aos animais e aos seres humanos. Após o cão ser picado pelo mosquito, as larvas evoluem para parasitas adultos, localizando-se principalmente em artérias pulmonares", explica a médica-veterinária Tatiana Champion.

Ainda de acordo com Tatiana, o cão é o principal hospedeiro definitivo desse parasita, mas outros animais também podem alojá-lo, como é o caso dos gatos, das raposas, dos lobos e, ocasionalmente, até mesmo dos seres humanos.

Saiba mais sobre o "verme do coração" e como evitar o problema, que pode inclusive levar o seu animal à morte.

 

Como se desenvolve a dirofilariose?

Os parasitas adultos podem provocar lesões pulmonares, tais como hipertensão arterial pulmonar, tromboembolismo pulmonar e insuficiência cardíaca congestiva direita. Além disso, a resposta imune e a liberação de mediadores inflamatórios estão relacionadas ao agravamento do quadro clínico, piora da inflamação vascular (endoarterite) e, em alguns casos, lesões renais imunomediadas, como glomerulopatias.

 

Quais são os principais sinais clínicos apresentados pelos animais quando possuem a doença?

A manifestação clínica do animal acometido dependerá do grau de infestação parasitária e da localização do parasita. Além das manifestações de insuficiência cardíaca em cães, como cansaço, emagrecimento, ascite e edema de membros, a doença pode provocar sinais respiratórios, como tosse, sobretudo em felinos. Alguns animais portadores também podem ser assintomáticos, ou seja, não apresentam nenhum sinal clínico evidente, mesmo com a infestação parasitária. A hipertensão arterial pulmonar pode provocar cianose de mucosas, tosse e síncope e o tromboembolismo pulmonar provocar quadros de dispneia aguda.

 

Como é feito o tratamento?

O tratamento envolve a eliminação de todas as fases do parasita, com a utilização de medicamentos com ação adulticida, ou seja, com ação no parasita adulto localizado em grandes vasos e no coração, associados a medicamentos com ação microfilaricida, com ação sobre as microfilárias presentes na circulação sanguínea. Recomenda-se ainda o uso de antibióticos contra Wolbachia spp., uma bactéria envolvida no agravamento das lesões associadas à dirofilariose. Em ocasiões específicas, o animal pode ser encaminhado para tratamento cirúrgico. Além do tratamento contra o parasita e a Wolbachia spp., o médico-veterinário deve acompanhar complicações associadas como tromboembolismo, hipertensão arterial pulmonar, insuficiência cardíaca congestiva e glomerulopatias. Por fim, exige-se também um repouso absoluto para os animais parasitados. Desta forma, reduz-se a ocorrência de tromboembolismo pulmonar.

 

Por que ele é considerado tão difícil?

O tratamento é complicado devido ao risco de complicações tromboembólicas e obstruções venosas em situações de altas cargas parasitárias. Outro problema é o risco de lesões renais de alguns fármacos utilizados na terapia, uma vez que o próprio parasita já pode provocar lesões em glomérulos renais. Além disso, alguns fármacos utilizados para tratamento de microfilárias não podem ser utilizados em algumas raças, como Collies, Pastor de Shetland, Old English Sheepdogs, entre outros. Ressalta-se também o fato de que atualmente, no Brasil, não há disponibilidade dos fármacos adulticidas, tornando o tratamento dos cães com dirofilariose ainda mais complicado.

O médico-veterinário deve atentar para a possibilidade de dirofilariose oculta, ou seja, a ocorrência da doença com parasitas adultos em vasos e coração, porém sem microfilárias em sangue periférico. Outra situação que requer atenção é o fato de falsos resultados diagnósticos, uma vez que é possível que um cão parasitado não apresente microfilárias em sangue periférico e, em alguns casos, não possua níveis suficientes de resposta antigênica para promover a positividade dos exames sorológicos mais específicos.

 

A mortalidade da dirofilariose em cães é alta?

A mortalidade relaciona-se à gravidade das lesões provocadas pela doença parasitária em questão. No entanto, mesmo cães assintomáticos requerem atenção especial, pois estes se comportam como potenciais transmissores e perpetuadores da doença na região. A presença do mosquito aliada ao contato com animais parasitados contribui para o aumento crescente da incidência da doença.

 

A prevenção é a melhor forma de diminuir a mortalidade causada pela dirofilariose?

A prevenção é, indubitavelmente, a melhor forma de evitar a doença e, consequentemente, reduzir a morbidade e mortalidade associadas à dirofilariose. Antes da prevenção, o animal deve ser levado ao médico-veterinário para excluir a doença, pois há risco da terapia preventiva em alguns animais parasitados. Desta forma, após a exclusão da doença, o médico-veterinário prescreverá fármacos com ação preventiva. A prevenção é realizada apenas quando os fármacos são utilizados mensalmente, pois a falha da administração mensal pode deixar o animal susceptível à transmissão. Aliado ao uso de fármacos preventivos, deve-se evitar o contato com mosquitos vetores no ambiente. A prevenção exerce papel fundamental no controle da doença em cães, ressaltando-se que os médicos-veterinários e os proprietários de cães possuem responsabilidade sobre o risco de o animal doente transmitir a doença para outros animais e até mesmo para seres humanos.

 

 

Dra. Tatiana Champion é médica-veterinária formada pela Universidade Federal do Paraná. Residência em Clínica Médica de Pequenos Animais pela Universidade Estadual Paulista - campus de Jaboticabal. Pós-graduação Lato sensu em Clínica de Animais de Pequeno Porte pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Realizou mestrado e doutorado na área de Clínica Médica Veterinária, com ênfase em Cardiologia Veterinária. Atualmente é Professora Adjunta nível II da Universidade Vila Velha (UVV - ES) e leciona disciplinas de Clínica de Animais de Pequeno Porte, Doenças Parasitárias e Diagnóstico por Imagem em pequenos animais.


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