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Quando pensamos em pulgas e carrapatos, logo imaginamos os desconfortos que eles proporcionam aos nossos animais de estimação. Porém, diferentemente do que muitos imaginam, esses pequenos insetos e ácaros que se alimentam do sangue dos hospedeiros podem ser muito mais perigosos do que causadores de simples coceiras.

Tanto as pulgas como os carrapatos podem ser responsáveis pela transmissão de algumas doenças, entre elas a ehrlichiose e a babesiose, conhecidas popularmente como as "doenças do carrapato". Segundo a médica-veterinária Raquel Lisbôa, essas são doenças graves e que são transmitidas durante a sua alimentação no hospedeiro.

"Na fase aguda da doença, o animal pode ter uma reação febril, diminuição do apetite, perda de peso, anemia, edema de membros, vômitos e vários sinais clínicos que podem resultar na morte do animal se não forem tratados", alerta Raquel.

Quer manter o seu pet longe dos riscos que essas doenças podem causar? Veja algumas dicas e tire algumas dúvidas na entrevista completa do Idmed Pet com a veterinária.

 

Por que nossos animais de estimação são tão suscetíveis às pulgas e aos carrapatos? Tem alguma relação com os pelos, que oferecem um ambiente favorável à sobrevivência desses seres?

Primeiramente, porque os animais são os hospedeiros principais desses insetos (pulgas) e ácaros (carrapatos). Ambos são parasitas obrigatórios, ou seja, necessitam se alimentar no hospedeiro para sobreviver e produzir descendentes. Alguns têm preferência a uma única espécie de hospedeiro, porém a maioria pode se alimentar em várias espécies de animais.

As pulgas são ectoparasitas obrigatórios periódicos, pois somente os adultos sobem no corpo do hospedeiro (cão, gato, suíno, bovino, homem) apenas para se alimentar de sangue. Elas se alimentam de duas a três vezes ao dia e cada alimentação dura em torno de 10 minutos.

Os carrapatos são ectoparasitas obrigatórios que também se alimentam de sangue. Apenas a fase de ovo não parasita animais, ocorrendo no ambiente. Em outras fases, como larvas, ninfas e adultos, eles parasitam.

A sobrevivência desses parasitas não tem nenhuma relação com os pelos, ambos se alimentam de sangue, sendo chamados de hematófagos. Os pelos apenas dificultam sua visualização.

 

Quais são os locais de preferência no corpo do animal?

Pulgas e carrapatos podem se alimentar em qualquer região do corpo, porém são mais frequentes nos membros anteriores, patas, pescoço, base da cauda, nas orelhas e ouvido externo, peito e parte posterior das coxas. Eles buscam locais protegidos, de difícil visualização e de difícil acesso para o animal, ou seja, em regiões do corpo onde o animal não alcança com a boca nem com as patas para coçar, impossibilitando ou dificultando a sua retirada.

 

Qual é a forma correta de fazer a extração dessas pulgas e carrapatos?

As pulgas podem ser retiradas com o auxílio de um pente fino. Já os carrapatos devem ser retirados, um a um, com as mãos calçadas com luvas ou com pinças. Deve-se realizar a torção do carrapato em torno do seu próprio eixo longitudinal, até que ele próprio se destaque da pele. Evitando, assim, a permanência de suas peças bucais na pele, causando reação no organismo do animal.

É possível colocar os parasitas coletados, tanto as pulgas quanto os carrapatos, em um frasco contendo álcool ou, no caso dos carrapatos, pode-se esmagá-los com os sapatos. O que não pode é espremer qualquer um desses parasitas com as mãos, pois pode ocorrer a transmissão de patógenos.

Vale ressaltar que a informação de que se as fêmeas de carrapatos forem esmagadas seus ovos se espalharão no ambiente é pura lenda.

 

Por outro lado existem tratamentos definitivos para o combate desse problema?

Infelizmente não existem tratamentos definitivos. O que existem são medidas de controle e prevenção. O controle deve ser realizado tanto no ambiente em que o animal se encontra como nele próprio.

Em relação às pulgas, como suas fases de ovo, larva e pupa ocorrem no ambiente, deve-se aplicar inseticidas nos locais onde o animal se deita. Deve-se também varrer cuidadosamente a casa e o quintal e realizar posterior incineração da varredura, usar aspirador de pó, limpar os pisos com solução de hipoclorito. O combate às pulgas adultas, que parasitam os animais, é feito com formulações de xampus, sprays, sabonetes, coleiras e talcos.

Como algumas espécies de pulgas parasitam roedores, o seu controle (antirratização e desratização) também é importante.

Para o controle dos carrapatos, deve-se tratar o ambiente com acaricidas, borrifando cantos e frestas das casas e canis e aplicar banhos carrapaticidas nos cães. Um médico-veterinário deve ser consultado para indicação da frequência e intervalos do tratamento.

 

Quais são as principais dicas pra manter os animais afastados das pulgas e dos carrapatos?

Deve-se evitar contato com outros animais que estejam parasitados, ambientes infestados. Após o passeio com seu cão, examine todo o corpo do animal para retirar possíveis parasitas. É importante também realizar algumas das medidas preventivas e de controle anteriormente mencionadas.

 

Além do incômodo causado aos animais, pulgas e carrapatos também podem transmitir doenças mais graves?

Ambos transmitem doenças. Nas pulgas, algumas são semipenetrantes (tungíase: infestação por Tunga penetrans), tornando-se vias de acesso para agentes oportunistas e determinando infecções secundárias, como, por exemplo, o tétano (Clostridium tetani) e gangrena gasosa (Clostridium perfrigens). Outras podem transmitir cestódeos (Dipylidium caninum, Taenia sp.), nematoides, rickéttsias (tifo), bactérias (tularemia, peste bubônica: Yersinia pestis) e vírus, dependendo da espécie de pulga.

No caso dos carrapatos, eles transmitem bactérias (Ehrlichia sp., Rickettsia spp.) e protozoários (Plasmodium spp., Babesia spp., Hepatozoon spp.) A presença do ácaro pode ser ainda uma porta de entrada para o desenvolvimento de larvas de moscas (miíases) e de infecção secundária (Staphylococcus aureus).

 

 

Dra. Raquel Silva Lisbôa – CRMV AM 0566 – graduou-se em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em 2002. Possui doutorado em Ciências (2010) na Área de Sanidade Animal pela UFRRJ. Atualmente, é professora do Curso de Medicina Veterinária na Escola Superior Batista do Amazonas (ESBAM), onde ministra aulas nas disciplinas: Introdução à Medicina Veterinária e Bem-Estar Animal, Nutrição Animal, Parasitologia Veterinária I e Laboratório Clínico; e coordena o Laboratório de Análises (LabVet/ESBAM) da Clínica Escola da ESBAM (CliniVet/ESBAM).


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