senhora com seu cachorrosenhora com seu cachorro

Por que confundimos o nome de um parente com o do cachorro?

Você já teve algum problema para lembrar o nome de um parente próximo? Ou pior ainda, já chamou um parente pelo nome do seu cachorro? Isso pode ser mais comum do que você imagina, mas não precisa se preocupar. É apenas um pequeno lapso de memória.

Neste blog, vamos explorar os conceitos de cognição e memória e entender por que confundimos nomes.

Além disso, veremos outras formas de lapsos de memória e dicas para melhorar a nossa capacidade cognitiva. Então, deixe seu cachorro de lado e venha aprender um pouco mais sobre o funcionamento da nossa mente.

Conceitos de cognição e memória

Por que isso acontece? Será que há alguma explicação científica?

Conceitos de cognição e memória:

Para entender por que confundimos nomes, é importante entender o funcionamento da cognição e da memória. Cognição é o processo pelo qual adquirimos informações e conhecimentos sobre o mundo ao nosso redor.

Memória, por sua vez, é a capacidade de armazenar e recuperar informações. Quando falamos sobre memória, é importante entender que ela não é um processo único, mas sim composta de várias etapas diferentes.

cachorro com seu dono
cachorro com seu dono

A primeira etapa é a codificação, quando a informação é registrada no cérebro. A segunda etapa é o armazenamento, quando a informação é mantida no cérebro. Por fim, a terceira etapa é a recuperação, quando a informação é acessada no cérebro.

As habilidades cognitivas podem variar de pessoa para pessoa e, portanto, podemos ter diferentes graus de habilidade em tarefas como a memória. No entanto, em geral, podemos dizer que a memória é influenciada por fatores como atenção, emoções e motivação.

Como funcionam cognição e memória juntas?

Quando se trata de confundir nomes, é interessante destacar que a memória está sempre em interação com a cognição. Ou seja, nosso cérebro está constantemente gerenciando informações que recebemos do ambiente ao nosso redor.

Imagine que você encontra um amigo na rua. Seu cérebro recebe informações sobre a aparência dele, o lugar onde se encontraram e o que conversaram. Essas informações são armazenadas em sua memória e, em seguida, são recuperadas quando você tenta lembrar do encontro.

No entanto, quando seu cérebro lida com a informação, ele a faz através de pistas. Essas pistas podem ser informações visuais, como a aparência do seu amigo, mas também podem ser informações semânticas, como a profissão dele ou o nome dele.

Por que confundimos nomes?

Explicação científica:

A confusão de nomes é um fenômeno comum que pode afetar qualquer um. Uma das teorias mais aceitas para explicar isso é a teoria da ativação competitiva. Ela sugere que, quando tentamos lembrar-nos de um nome, ativamos uma rede de memórias associadas a esse nome. Quando duas ou mais memórias são ativadas simultaneamente, pode acontecer um erro de ativação e acabamos dizendo o nome errado.

Outra teoria que explica a confusão de nomes é a teoria do traço compartilhado, que sugere que nomes com traços semânticos semelhantes podem ser confundidos, pois ativam aspectos semelhantes da memória.

Fatores emocionais que contribuem para a troca de nomes: No entanto, a confusão de nomes pode ser influenciada também por fatores emocionais.

Por exemplo, quando estamos emocionalmente ligados a alguém, podemos confundir seu nome com o nome de outro indivíduo com quem temos uma conexão emocional semelhante. Além disso, o estresse e a ansiedade podem afetar negativamente nossas habilidades cognitivas, dificultando a lembrança dos nomes.

dois cachorros juntos encarando
dois cachorros juntos encarando

Outras formas de lapsos de memória:

Além da confusão de nomes, existem outras situações em que podemos experimentar lapsos de memória. O efeito Mandela, por exemplo, é uma sensação de que uma memória específica ou evento nunca ocorreu, ou que ocorreu de uma maneira diferente da que se lembra.

O efeito Zeigarnik refere-se à tendência de lembrar de tarefas inacabadas com mais facilidade do que de tarefas concluídas. Já o déjà vu é a sensação de que algo já foi experimentado antes, mesmo que seja a primeira vez que se está experimentando.

Dicas para melhorar a memória: Embora alguns lapsos de memória sejam inevitáveis, há maneiras de melhorar nossa memória. Uma alimentação saudável e balanceada, assim como exercícios regulares e boas práticas de sono, podem ajudar a manter nosso cérebro saudável. Além disso, a prática de exercícios mentais, como jogos de memória e leitura, pode ajudar a fortalecer nossa mente e melhorar nossa memória.

Outras formas de lapsos de memória

Além da confusão de nomes, existem outras manifestações de lapsos de memória que podem ocorrer em nossas vidas. Algumas delas podem parecer estranhas ou inexplicáveis, mas a ciência tem algumas explicações interessantes para esses fenômenos.

Efeito Mandela

O Efeito Mandela é uma aparente discrepância entre a memória das pessoas e os eventos reais. Isso ocorre quando um grande número de pessoas compartilha uma falsa lembrança de algo que nunca aconteceu ou de alguma forma diferente do que realmente aconteceu.

O efeito recebeu esse nome depois que se descobriu que muitas pessoas acreditavam erroneamente que Nelson Mandela havia morrido na prisão durante os anos 80, quando na verdade ele foi libertado em 1990 e faleceu em 2013.

A explicação científica para o Efeito Mandela é a formação de falsas memórias. Nossa memória não é um registro perfeito e imutável dos eventos, mas sim uma reconstrução contínua baseada em nossas expectativas e interpretações.

Efeito Zeigarnik

O Efeito Zeigarnik é outro fenômeno interessante relacionado à memória. Ele foi observado pela primeira vez pela psicóloga Bluma Zeigarnik em 1927, quando ela notou que as pessoas tendem a lembrar melhor de tarefas incompletas do que de tarefas concluídas.

A explicação para esse efeito é que nosso cérebro é mais propenso a reter informações que possam ser úteis no futuro, e tarefas incompletas têm maior probabilidade de precisar ser retomadas. Isso pode nos ajudar a manter um senso de urgência e a lembrar das coisas que precisam ser feitas.

cachorro junto com seu dono
cachorro junto com seu dono

Déjà vu

O Déjà vu é uma sensação estranha e incomum em que sentimos que já vivemos uma experiência antes. Isso pode ser acompanhado por uma sensação de familiaridade com o ambiente ou com as pessoas ao nosso redor, mesmo que saibamos que nunca estivemos lá antes.

A explicação científica para o Déjà vu é que ele pode ocorrer quando nossos cérebros têm dificuldade em processar e armazenar informações adequadamente. Como resultado, o cérebro pode interpretar erroneamente o que está acontecendo no momento presente como uma memória antiga.

Embora a ciência possa explicar alguns desses fenômenos, eles ainda podem parecer misteriosos e intrigantes. No entanto, compreender melhor como nossa memória funciona pode nos ajudar a identificar e trabalhar melhor com alguns desses lapsos de memória incomuns.

Dicas para melhorar a memória

Como já mencionamos em seções anteriores, a memória é uma função cognitiva importante que pode se deteriorar conforme envelhecemos ou devido a outras causas, como estresse e dormir pouco. Felizmente, há muitas coisas que podemos fazer para melhorar nossa memória. Aqui estão algumas dicas:

Exercícios para o cérebro

Assim como o corpo precisa de exercícios para se manter saudável, o cérebro também precisa de estimulação para se manter ativo e saudável. Há muitos exercícios para o cérebro que podem ajudar a melhorar a memória, como quebra-cabeças, jogos mentais, leitura e aprendizado de novas habilidades. Ao desafiar o cérebro com atividades diferentes, podemos ajudar a fortalecer as conexões neurais que são essenciais para a memória.

Alimentação saudável

A alimentação saudável é essencial para a saúde em geral, mas também pode ter um grande impacto na memória. Alguns alimentos que são especialmente bons para a memória incluem peixes ricos em ômega-3, como salmão e atum; frutas e vegetais que são ricos em antioxidantes, como mirtilos, morangos, kiwi e espinafre; e grãos integrais, que fornecem carboidratos complexos que o cérebro utiliza para energia.

Boas práticas de sono

A qualidade do sono também afeta a memória. Quando não dormimos o suficiente ou quando temos um sono de má qualidade, o cérebro é incapaz de consolidar as informações adequadamente, o que pode levar a problemas de memória. Por isso, é importante ter uma rotina consistente de sono e criar um ambiente propício para dormir, como um quarto escuro, silencioso e fresco.

Com essas dicas, podemos melhorar nossa memória e manter o cérebro ativo e saudável. Claro, é importante lembrar que a memória pode diminuir com a idade, e que essas dicas não são uma cura milagrosa. No entanto, elas podem ajudar a minimizar os efeitos do envelhecimento e manter nossa memória forte por mais tempo.

Conclusão

Às vezes, nosso cérebro nos prega peças e acabamos trocando o nome das pessoas que conhecemos. Isso pode ser resultado de alguns fatores, como a cognição e memória.

Sabemos que a cognição é a habilidade do cérebro para processar informações e a memória é a capacidade de armazenar e recuperar essas informações.

Quando as duas trabalham juntas, podemos ter esses pequenos lapsos de memória, como confundir nomes de parentes com cachorros.

Mas não se preocupe, esses lapsos de memória são normais e podem ser corrigidos com algumas técnicas simples, como a prática de exercícios para o cérebro, alimentação saudável e boas práticas de sono.

Além disso, existem outros tipos de lapsos de memória, como o efeito Mandela, o efeito Zeigarnik e o déjà vu.

Em resumo, conhecer como funciona a cognição e memória pode nos ajudar a entender por que confundimos nomes e como podemos melhorar nossa memória.

Com um pouco de prática, podemos evitar esses lapsos de memória e garantir que não confundiremos mais nossa tia com o nome do cachorro dela.

By Prof.ª Dr.ª Kelly Cristine de Sousa Pontes

Pós-doutora em Medicina, na área de Oftalmologia e Oncologia, pela Leiden University – Holanda e Doutora em Cirúrgicas e Anestésicas Aplicadas aos Animais, pela Universidade Federal de Viçosa

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